Home Data de criação : 07/04/22 Última atualização : 11/11/26 00:30 / 211 Artigos publicados

Admiráveis Poetas

ESPELHO  (Admiráveis Poetas) escrito em quinta 03 novembro 2011 09:25

Blog de dafnestamato :Poesia e Luz, ESPELHO

Eu e minhas mortes rasas
minhas alegrias serenas
em minhas sofridas retinas

 

Que venham mais vidas
e esse Sol persistente
ressuscitador incansável

 

Eu e meus sonhos oníricos
minhas fadas de carne e osso
meu amor pelo improvável

 

Eu e meus poemas errados
ladrão de frestas solares
para meus versos sombrios

 

Que venham mais mortes
e seus cortes de lágrimas
adubo dos medos e crenças

 

Eu e meus suicídios mortos
minhas dores mudas
e meu mundinho octópode

 

Eu e minha arte sem obras
Meus dedos verborrágicos
Meus pobres versos trágicos
Minha felicidade de sobras

 

Eu e meus princípios sem fim
Meus descontínuos recomeços
Mania de amar sem endereços
E morar em universos dentro de mim

 

 

Ricardo Freitas - 00h30 - 03/11/11

 

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Vai que é tua, Brasil!  (Admiráveis Poetas) escrito em sexta 03 junho 2011 18:56

Blog de dafnestamato :Poesia e Luz, Vai que é tua, Brasil!

 


Tua cara, Brasil, foi dourada,

mas o teu ouro sumiu:

tua gente foi roubada,

tua terra, espoliada,

teus nativos, dizimados...

mas inda há jeito, Brasil!

Tua cara já foi verde,

das matas que não tinham fim.

Mas também o nosso verde

pujante, sensual, brejeiro,

muda-se para o estrangeiro

ou se transforma em capim.

Tua cara foi rosada,

tuas bochechas, carmim,

do bem-nascido petiz.

Contudo a petizada,

que corria tão feliz,

anda esquálida,

abandonada,

sem sonhos ou diretriz.

Tua cara inda é azul,

da extensa hidrografia

que te irriga a geografia.

Mas te pergunto: até quando?

Um ano? Um mês? Um dia?

Escorraça logo os chacais,

e os abutres internacionais

senão, meu Brasil, que sede!

Que grande sede terás!

Ergue tua cara, Brasil!

Inda tens o território,

vasto, lindo, capaz,

prenhe de mil tesouros.

Precisas de algo mais?

Tens a língua mais sonora,

um povo que te adora,

mostra tua cara, rapaz!!

Se comeram tua carne

- invasores de agora

e invasores de outrora -

teu cerne ainda é teu:

teu cerne é o teu povo,

que escapou da voragem.

Fica com ele, Brasil!

Arma-te de coragem!

Honra os filhos que pariu!

Levanta do berço esplêndido!

Arrebenta esse funil!

Constrói de novo teu rumo,

põe-te outra vez no prumo,

endireita-te, Brasil!

Tens ainda muitas caras,

femininas, masculinas,

e as de outra opção.

Soma os teus camaradas

- gente de muito brio -

e chegarás à feição

do que chamamos Brasil.

Caras de fibra, de tino,

de sulista, nordestino,

nortista e pantaneiro,

duzentos milhões de caras

de honrados brasileiros.

Tens os ilhéus, os praianos,

os sertanejos, os urbanos,

há gente de toda raça,

é gente que esbanja graça,

gente que mãos entrelaça

e te abraça, Brasil.

Enlaçado à tua gente,

nada te fará frente.

Enfrenta as raposas famintas

e limpa toda a sujeira

que se instalou, sorrateira,

há muitos e muitos anos

em tapetes palacianos

(e em mais alguns recantos

da sociedade brasileira).

Soberano e altivo,

constrói teu rumo, Brasil!

O teu povo criativo,

forte, bravo, incansável,

é um povo formidável

que mergulhará de cabeça

pra o que vier e aconteça.

Teu povo te passa a bola:

Vai que é tua, BRASIL !!


Márcia Stamato

 

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Poeminha da hora (hehehe)  (Admiráveis Poetas) escrito em terça 17 maio 2011 12:21

Faz tempo que abandonei
o relógio de pulso...
Perdi o pulso com o tempo.

Uma preguiça pontual, talvez
um atraso de vida...
Ou está chegando a hora!

Não dou mais corda pra depressão,
mas perdi a noção do tempo.
Nem um segundo me adianta mais.

Sinto no peito um tic-tac perturbador,
um horário de verão interminável
devorando meus invernos...

queria viver meu tempo absoluto
sem dígitos nem ponteiros cruéis
que nos cercam minuto a minuto

Ricardo Freitas

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Márcia Stamato  (Admiráveis Poetas) escrito em quarta 26 agosto 2009 17:16

Como apresentar para vocês minha Tia / Prima Márcia? Sabe aquelas pessoas que tem a alma perfumada. Pois é, ela é uma dessas pessoas.Abaixo um resumo de sua biografia, escrita pela própria autora.

Sou mulher com vários papéis: mãe, filha, irmã, amiga e também socióloga, servidora do parlamento paulista. Sou cidadã atuante e minhas preocupações maiores são as políticas públicas inclusivas, especialmente as de gênero.
Escrevo porque sou falante. Gosto muito de uma boa conversa e, nas horas em que não tenho interlocutor, penso e escrevo aquilo que gostaria de ter falado com alguém. Gosto de casa cheia e de poder preparar, pessoalmente, as delícias da culinária que serão meu carinho a quem vier me ver.

Adoro as crianças, por serem verdadeiras e diretas. Por isso estou me preparando para ser contadora de histórias, quando eu me aposentar. É o meu plano B. Terei a alegria do contato com os pequeninos e a eles darei, em troca, as frutas de meu pomar e o gosto pelos livros e pelas viagens que fazemos dentro deles. Sei que tal estratégia dá certo: meu pai nos contava desde as "Fábulas" de Esopo até as "Reinações de Narizinho". Embarcou conosco no "Nautilus" concebido por Verne e também no navio de Ulisses. Minhas irmãs e eu navegamos desde muito pequenas entre sereias e ciclopes dos épicos de Homero. Deu certo a estratégia de meu pai: aprendemos a amar os livros.
Por isso, apesar de meus 54 anos, sou criança ainda.

Márcia Stamato

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Paz Fugaz  (Admiráveis Poetas) escrito em quarta 26 agosto 2009 17:11

Só – como é sólito –

observo a tênue tarde,

imensamente bela,

desvanecer tépida

ante esta janela.

 

Largas pinceladas

de tons pálidos

no céu tíbio

se espraiam.

 

Quadro pintado

com maestria.

Quadro repleto

de harmonia.

 

Alheia ao tráfego,

sempre férreo

neste horário,

divago.

 

E vago envolvida

n’atmosfera plácida

de cores tímidas.

 

Quase flutuo

neste momento...

Toda invadida:

deslumbramento.

 

Mas eis que vem,

soando ardida,

uma sirene

intrometida.

 

Quebra o encanto !

E, em desalento,

torno ao ponto

de partida.

 

Só - como é sólito.

 

 

Márcia Stamato


 

 

 

 

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