Tua cara, Brasil, foi dourada,
mas o teu ouro
sumiu:
tua gente foi
roubada,
tua terra,
espoliada,
teus nativos,
dizimados...
mas inda há jeito,
Brasil!
Tua cara já foi
verde,
das matas que não tinham
fim.
Mas também o nosso
verde
pujante, sensual,
brejeiro,
muda-se para o
estrangeiro
ou se transforma em
capim.
Tua cara foi
rosada,
tuas bochechas,
carmim,
do bem-nascido
petiz.
Contudo a
petizada,
que corria tão
feliz,
anda
esquálida,
abandonada,
sem sonhos ou
diretriz.
Tua cara inda é
azul,
da extensa
hidrografia
que te irriga a
geografia.
Mas te pergunto: até
quando?
Um ano? Um mês? Um
dia?
Escorraça logo os
chacais,
e os abutres
internacionais
senão, meu Brasil, que
sede!
Que grande sede terás!
Ergue tua cara,
Brasil!
Inda tens o
território,
vasto, lindo,
capaz,
prenhe de mil
tesouros.
Precisas de algo
mais?
Tens a língua mais
sonora,
um povo que te
adora,
mostra tua cara,
rapaz!!
Se comeram tua
carne
- invasores de
agora
e invasores de outrora
-
teu cerne ainda é
teu:
teu cerne é o teu
povo,
que escapou da
voragem.
Fica com ele,
Brasil!
Arma-te de
coragem!
Honra os filhos que
pariu!
Levanta do berço
esplêndido!
Arrebenta esse
funil!
Constrói de novo teu
rumo,
põe-te outra vez no
prumo,
endireita-te,
Brasil!
Tens ainda muitas
caras,
femininas,
masculinas,
e as de outra
opção.
Soma os teus
camaradas
- gente de muito brio
-
e chegarás à
feição
do que chamamos
Brasil.
Caras de fibra, de
tino,
de sulista,
nordestino,
nortista e
pantaneiro,
duzentos milhões de
caras
de honrados
brasileiros.
Tens os ilhéus, os
praianos,
os sertanejos, os
urbanos,
há gente de toda
raça,
é gente que esbanja
graça,
gente que mãos
entrelaça
e te abraça,
Brasil.
Enlaçado à tua
gente,
nada te fará
frente.
Enfrenta as raposas
famintas
e limpa toda a
sujeira
que se instalou,
sorrateira,
há muitos e muitos
anos
em tapetes
palacianos
(e em mais alguns
recantos
da sociedade
brasileira).
Soberano e
altivo,
constrói teu rumo,
Brasil!
O teu povo
criativo,
forte, bravo,
incansável,
é um povo
formidável
que mergulhará de
cabeça
pra o que vier e
aconteça.
Teu povo te passa a
bola:
Vai que é tua, BRASIL
!!
Márcia Stamato
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